quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Como alcançar sustentabilidade


A sustentabilidade é uma meta que deve ser perseguida por todo e qualquer governo. Não é apenas uma obrigação do setor público. As empresas privadas e toda a sociedade precisam assumir esse compromisso e contribuir com esse caminho.

Thomas Kuhn, físico que popularizou a palavra paradigma, dizia: “todo progresso significativo é um rompimento com velhas maneiras de pensar”.

Há uma diferença entre crescimento e desenvolvimento: o crescimento é apenas um incremento quantitativo. Já o desenvolvimento é qualitativo.

O Brasil cresce. Mas, além disso, precisa se desenvolver de forma sustentada. Para isto, precisamos começar a promover uma inovação humana em todos os níveis, inclusive dentro das famílias. Conhecemos pessoas de diferentes graus de instrução, mas que se comportam sem a consciência ecológica, que garantirá o futuro da vida no planeta.

Para mudar a realidade atual precisamos mudar o pensamento ou ponto de vista. Somente assim, mudaremos comportamentos e hábitos, que irão contribuir para alcançarmos mais rapidamente a sustentabilidade.

Algumas questões são dificultadoras e merecem muita atenção. Vivemos num mundo dividido entre pobres e ricos. Ninguém conseguirá sozinho vencer os enormes desafios da atualidade. Precisamos melhorar a qualidade da educação básica, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde das gestantes, combater a AIDS e outras doenças, melhorar a qualidade de vida e o respeito ao meio ambiente...

Esse é um longo processo a ser percorrido. Ficaria mais fácil com a presença de líderes verdadeiros, que conduzissem mais rapidamente a um Brasil sustentável. Isso exigirá entendermos a interação entre a atividade econômica, ambiental e o bem estar social.

É necessário que a iniciativa privada se comprometa com um capitalismo mais solidário, gestões que promovam responsabilidade interna – com os colaboradores, e externa – com a sociedade em geral.

“O futuro dependerá do que agora fizermos. E, certamente, há muito por se fazer...”

EDINALDO MARQUES
Engº Civil, Professor e Consultor
www.twitter.com/edinaldomarques

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Segundo turno


Se deixarmos de lado interesses pessoais e ideológicos, o segundo turno das eleições presidenciais foi a melhor coisa que poderia acontecer para o Brasil. Será uma oportunidade de confrontar ideias dos dois candidatos mais votados no primeiro turno – Dilma Rousseff e José Serra. Esse é o momento para o eleitor que deseja escolher, quem realmente está mais preparado, possui compromissos claros, tem melhores propostas e consegue dizer como implementá-las.

Já a partir do primeiro debate no segundo turno, marcado para domingo (10 de outubro), às 22 horas na TV Bandeirantes, vamos poder identificar princípios, compromissos assumidos, políticas públicas e como será o processo de gestão, para que as políticas sejam executadas.

Não basta apenas dizer que vai fazer isso ou aquilo. É preciso deixar claro como e quando pretende fazer. Das reformas tão necessárias ao país – política, fiscal, tributária, previdenciária, trabalhista, agrária..., quais cada candidato julga prioritárias e que estratégia política pretende usar para tê-las aprovadas no Congresso Nacional? Sem isso, não conseguiremos evoluir na velocidade que o país e sua população necessitam.

Sem interferência da “maquiagem” e dos efeitos pirotécnicos do guia eleitoral, os debates são esclarecedores e permitem que os candidatos se apresentem mais próximos daquilo, que realmente eles são. As questões poderão ser mais detalhadas, pois haverá mais tempo.

Lógico que o passado e o portfólio de cada um são importantes. Mas, precisamos olhar para frente e discutir, que Brasil queremos a partir de agora? Essa coisa que alguns falam de direita ou esquerda é uma bobagem. Hoje, na política brasileira, há uma mistura de ideologias. O principal mesmo é a capacidade de liderança e de execução de cada um. Isto sim, irá garantir que as políticas mais importantes saiam do papel, do campo das ideias e sejam colocadas em prática. Como consequência, a população terá as respostas que precisa.

Um tema, que também deverá ser alvo de discussão nos debates, é a corrupção. Até o momento, somente nos dois governos do presidente Lula, 9 ministros já caíram por causa da corrupção. Recursos públicos oriundos da alta carga tributária brasileira e que poderiam ir para investimentos na educação, saúde, segurança pública, assistência social, infraestrutura..., tomaram destinos particulares.

Outros temas relevantes são o combate às drogas – políticas e ações de prevenção, política educacional, segurança pública, saúde, preenchimento de cargos estratégicos e de confiança no governo federal.

Uma discussão que não pode ficar fora nesse segundo turno é qual o projeto que cada um propõe para garantir um Brasil Sustentável?

Como o(a) futuro(a) presidente(a) pretende gerenciar a malha pavimentada federal, responsável pelo sustentáculo da economia e pelo elevado Custo-Brasil? Que política de transportes, de mobilidade urbana, será implementada caso seja eleito(a)?

EDINALDO MARQUES
Engº Civil, Professor e Consultor
www.twitter.com/edinaldomarques

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Eleição


Neste domingo (03 de outubro) os brasileiros irão às urnas para escolher seis candidatos: presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual. É o exercício da democracia e do maior poder de que dispomos – o da escolha.

Os que forem eleitos, principalmente para os cargos executivos, terão a missão de colocar em prática propostas assumidas durante o processo eleitoral.

Quatro anos de governo será tempo suficiente para realizar muitas ações, até mais do que o prometido. Mas, para isto, é preciso ter estratégia, planejamento e execução eficaz. Este último passo é o mais difícil, pois depende de um maior número de pessoas envolvidas.

Para aqueles que desejarem obter os melhores resultados políticos nas próximas eleições, fica a observação feita pelo consultor Deepak Chopra: foquem, prioritariamente, nas necessidades e nas respostas que as pessoas dão, quando suas necessidades são atendidas. Com isto, ficarão mais próximos de novas vitórias e do poder.

Decisão política associada a um processo de gestão pública baseada em empowerment produzirá resultados econômicos, sociais e políticos que ficarão no portfólio do governante e na memória dos eleitores.

Edinaldo Marques
Professor e Consultor
www.twitter.com/edinaldomarques

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Líder ou gestor


Assisti a entrevista ao vivo no Bom Dia Brasil de hoje (20), com a candidata a presidência Marina Silva.

Uma das perguntas formuladas pela jornalista Renata: “a senhora disse diversas vezes que não é preciso discutir quem é o melhor gerente para o Brasil, que não é isso que vai nos tirar do atraso. Mas candidata, o presidente não tem que ser um bom gerente, um bom gestor?”

Em pleno século XXI, num ambiente de grande complexidade, turbulências, incertezas e mudanças constantes, o gerente precisa ser substituído pelo líder. No século XIX e até metade do século XX predominou a figura do gerente ou gerentão. Hoje, o quadro é diferente. Antes de gerenciar é preciso saber liderar: ser visionário, ter visão estratégica, pensamento sistêmico e holístico, coragem, integridade, energia, saber ouvir, ter foco e, principalmente, inspirar confiança.

Quanto mais líderes existirem em posições estratégicas, mais rapidamente o país mudará os atuais resultados.

O apagão de lideranças precisa ser substituído pela presença do maior número possível de verdadeiros líderes.

Na política brasileira, se nós quisermos resultados diferentes dos atuais, é preciso fazer as coisas também de forma diferente.

Edinaldo Marques
Professor da Ufal com Mestrado em Administração
Consultor e Palestrante

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Subutilização do servidor


A maioria da força de trabalho dentro do serviço público brasileiro tem mais talento, capacidade de produção e criatividade do que aquilo que é colocado em prática diariamente. A mentalidade da era industrial – séculos XIX e parte do século XX, que considerava as pessoas como coisas e tinha no controle a estratégia para garantir a produção, nos dias atuais, continua impregnada na cabeça de muitos administradores públicos. Isso provoca desperdícios incalculáveis à população brasileira, não perceptíveis aos que exercem chefias.

Para chegarmos a um desempenho superior e sustentável é preciso treinar chefes e servidores públicos, para que liderem mais e chefiem menos, adquiram o hábito de focar e executar as prioridades a serem atingidas, sejam mais proativos, confiáveis, aumentem a velocidade da confiança interpessoal e incorporem novas competências.

Essa decisão, se tomada em cada órgão da administração pública, promoverá maior comprometimento, motivação e sinergia, o que aumentarão os resultados. Haverá redução na burocracia e respostas mais rápidas serão dadas para os inúmeros problemas da população – segurança, educação, saúde, transportes...

Edinaldo Marques
Professor e Consultor
www.twitter.com/edinaldomarques

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Administrador profissional


9 de setembro é o dia do administrador. Nossas homenagens àqueles que exercem essa profissão e colocam em prática teorias administrativas, métodos, ferramentas e processos que transformam objetivos em resultados. A ciência da administração moderna é, sem dúvida, o caminho para a sustentabilidade.

Ainda hoje, em pleno século XXI, num mundo complexo, veloz, incerto, cheio de turbulências e de mudanças constantes, várias empresas públicas e privadas brasileiras são administradas no improviso, sem o profissionalismo necessário, para que resultados positivos possam ser alcançados muito mais rapidamente e com menores recursos financeiros.

O que observamos são pessoas que não dominam processos eficazes de gestão ocuparem funções estratégicas complexas, sem terem as competências mínimas necessárias para o exercício do cargo. Fazem alguma coisa, mas deixam de fazer muito mais, desperdiçam tempo e dinheiro, vivem no paradigma do “errar é humano”, não sabem como gerenciar pessoas, contribuem para um clima de alta desmotivação e de baixa produtividade.

Se necessitarmos fazer uma cirurgia cardíaca, por exemplo, certamente, procuraremos um médico cardiologista com experiência e resultados comprovados. Entretanto, no exercício de tarefas administrativas, o que mais vemos são profissionais – graduados ou não, de diversas especialidades, sem visão sistêmica e holística, sem o domínio de processos e ferramentas eficazes de liderança e gestão, exercerem posições de comando. A consequência está nos resultados. A lentidão com que as ações são postas em prática é enorme. Falta a prática correta da técnica de planejamento, execução, foco, gestão de pessoas e processos.

O atendimento às necessidades básicas da população, como educação, saúde, segurança, habitação..., é feito a conta-gotas. Alguns dirão que é por falta de dinheiro. Mas, os recursos financeiros, apesar de fundamentais, não são a causa principal. Esta, passa pelo amadorismo administrativo, aliado à falta de ética.

Alguns pontos precisam ser do domínio daqueles que ocupam funções administrativas: como exercer a liderança intrapessoal – liderar a si? como exercer a liderança interpessoal? como gerenciar com eficácia nos dias atuais? como elaborar um planejamento? como definir prioridades? como inspirar servidores ou colaboradores para que trabalhem comprometidos e motivados? como promover motivação duradoura? como administrar o tempo com eficácia? como aumentar a produtividade de uma equipe? como praticar a proatividade? como trabalhar em equipe? como conseguir a excelência no serviço público ou privado? como criar sinergia entre os membros de uma equipe? como promover inovação? que paradigmas devem ser utilizados para uma gestão de resultados no século XXI?

Enquanto isso não for realidade, vamos ser esse país rico, com tantas possibilidades de crescimento, mas com resultados tão lentos, aonde a ineficácia e ineficiência são visíveis.

Edinaldo Marques
Engº Civil, Mestrado em Administração e Consultor

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

14 pontos para uma gestão pública de resultados

Por que alguns gestores públicos têm sucesso em suas tarefas de administrar e outros não apresentam resultados merecedores de aplausos?

Existem alguns pontos que são fundamentais para se conseguir fazer uma gestão pública com resultados positivos. Vamos citar quatorze pontos:

1°) Definição clara dos objetivos que se pretende alcançar, acompanhada de prazos para que metas parciais possam ser avaliadas;

2°) Planejamento das ações necessárias, para que os objetivos ou políticas públicas possam ser alcançadas. Pensar e agir seguindo o planejamento estratégico;

3°) Estabelecimento da sequência de prioridades, visando transformar objetivos em realidade. É preciso buscar sempre a melhor maneira de fazer as coisas;

4°) Buscar o comprometimento do maior número possível de assessores diretos, indiretos, líderes administrativos etc.;

5°) Ouvir o que dizem as pessoas que formam a sociedade, formadores de opinião e líderes de comunidades;

6°) Formar multiplicadores, isto é, pessoas preparadas para debater e defender ideias;

7°) Avaliar, periodicamente, se as metas estão sendo cumpridas e, caso contrário, reformular as estratégias;

8°) Manter permanente contato com a população através de audiências públicas e privadas;

9°) Ter projetos competentes de tudo aquilo que pretender realizar e identificar as possíveis linhas de financiamento – orçamentária (do governo federal ou própria), Banco Mundial, Banco Interamericano de Desenvolvimento, parceria público-privada, emendas individuais ou coletivas de bancada, convênios etc.;

10°) Cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal;

11°) Implantar um processo de gestão que seja realmente eficaz;

12°) Trabalhar com transparência e perseverar sempre;

13) Implantar um programa de T & D – Treinamento e Desenvolvimento em todos os órgãos governamentais, a fim de diagnosticar necessidades, planejar, executar e avaliar resultados, promovendo crescimento pessoal e profissional dos servidores;

14) Criar planos de cargos e salários e instituir a meritocracia como forma de evolução na carreira pública.

Para cumprir uma agenda intensa de trabalho em quatro anos - período de um governo, é preciso aprender a gerenciar bem o tempo. Saber distinguir o que é essencial, importante e o que pode ficar para depois.

Edinaldo Marques
Professor da Ufal e Consultor
www.twitter.com/edinaldomarques
emelo@ctec.ufal.br