quarta-feira, 27 de abril de 2011

Insegurança


Em qualquer grupo de pessoas que trocam ideias hoje em Alagoas surge sempre a discussão sobre a insegurança atualmente vivida no estado. Afinal, vive-se na região considerada a mais violenta do país. É difícil encontrar alguém, que ainda não tenha sido assaltado ou presenciado alguma ação desse tipo. A situação tende a se agravar a cada dia. A solução sustentável para esse problema não será obtida a curto prazo. Vai exigir atuação conjunta dos governos estadual, municipais e federal, além das famílias, professores, igrejas, mídia e toda a sociedade.

São vários os fatores que podem provocar insegurança. Para que se saia da condição atual para uma bem melhor é preciso usar visão sistêmica, holística e integrar o maior número possível de órgãos e pessoas. Isto exige muito trabalho, inteligência, comunicação e compromisso. Sistemas e subsistemas de gestão devem ser montados, para que resultados positivos surjam mais rapidamente.

Apenas combater o crime e a violência não significa atingir a causa principal do problema. Sair de uma cultura de violência para outra de paz vai exigir a disseminação de um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e modos de vida diferentes dos atualmente experimentados. Antes de construir a paz é necessário desconstruir a violência.

Deve-se montar um plano eficaz nessa direção, que contenha estratégias e ações constantes. Certamente, já existe um mapeamento da violência no estado de posse da secretaria de defesa social. Se houver vontade política e se for estabelecida uma agenda positiva para a promoção da cidadania e de uma cultura de paz, chegar-se-á a cada momento mais próximo de uma situação aceitável.

Paralelamente, é preciso intensificar as ações repressivas. Usar, simultaneamente, tecnologia e polícia na rua para inibir ações de violência.

O que não podem ser desconsideradas no plano de ação são as necessidades humanas. Quando necessidades básicas mínimas deixam de ser atendidas estão sendo formadas as raízes da insegurança. Se a sociedade deseja um plano de ação eficaz é preciso resgatar valores humanos universais, como o amor, a verdade e a paz.

Edinaldo Marques
Engº Civil, Professor, Consultor e Palestrante
Pós-Graduado em Administração
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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Educação infantil


Li uma reportagem na Gazeta de Alagoas, que foi publicada na edição de domingo (17 de abril), página A15 do caderno de Economia, intitulada “Com 6 anos, criança já pode aprender a lidar com dinheiro”.
Se o Brasil deseja preparar o seu futuro e garantir as bases da sustentabilidade econômica, social e ambiental, é preciso repensar a forma de educar as crianças. Isto passa, também, pela preparação de pais e mães, pois não basta apenas a escola ensinar. Sem o engajamento da família no processo educacional os resultados não poderão ser os melhores.
O cérebro infantil começa seu crescimento a partir dos 3 anos de idade. Até os 6 anos é o período em que deveremos preparar as bases para um futuro de maior sucesso e realizações. As regiões cerebrais responsáveis pelo aprendizado se desenvolvem mais rápido nessa idade.
Crianças e adolescentes deveriam ser preparados para identificar seus sonhos e elaborar o seu projeto de vida. Aí estaria incluída a educação financeira, emocional e de valores humanos.
Com uma metodologia apropriada, através do uso de metáforas, histórias e exemplos claros, criar-se-iam as condições para que começassem a fazer autoconhecimento e autodesenvolvimento. Sem a ajuda de professores treinados para esse fim e sem os equipamentos modernos que a tecnologia disponibiliza, os resultados não seriam os desejados. Portanto, o método precisa ser devidamente detalhado e compreendido pelos professores, que teriam a responsabilidade de repassar esse conhecimento e atuarem com orientadores.
Antes de formar o profissional para exercer essa ou aquela especialidade, precisamos preparar o cidadão, pessoas com capacidade de liderar a si, com visões mais próximas da realidade atual e em condições de persistir na busca de seus sonhos e objetivos. Isto já é uma realidade em outros países, como por exemplo, os Estados Unidos. Lá, já nos primeiros anos de alfabetização, as crianças lidam com essas questões.

Edinaldo Marques
Professor, Consultor e Palestrante
Pós-Graduado em Administração
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Planejamento estratégico e execução


Se algo não apresenta bons resultados uma saída adotada pelos gestores é a elaboração de um planejamento estratégico, para que mudanças positivas apareçam. Mas, na prática, de nada adiantará apenas a elaboração de um plano. Pode ser mais uma peça a enfeitar as prateleiras e que servirá apenas como “álibi” na busca de soluções para o problema.
Ao contrário do que alguns pensam o planejamento é um processo contínuo, que deve ser executado independentemente de quem seja o partido ou governo à frente do executivo. Envolve um conjunto de técnicas e de atitudes administrativas. Isto implica dizer que para dar certo é necessário mudança de mentalidade, a fim de que o planejamento produzido seja realmente executado. Este é o grande “nó”.
O objetivo do plano é provocar mudanças nas pessoas – que são os servidores, na tecnologia – novos equipamentos e maneiras de trabalhar e nos sistemas. Isto somente apresentará os resultados desejados, se as pessoas envolvidas passarem por um processo de treinamento em eficácia pessoal, eficácia interpessoal, eficácia gerencial e eficácia organizacional. Como raramente esta parte é implementada, podemos antecipar que as mudanças esperadas a partir do plano não darão certo.

Edinaldo Marques
Professor e Consultor
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Trem-bala: um erro de prioridade


O senado federal aprovou na semana passada a implantação do projeto do trem-bala, que ligará as cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. O valor inicialmente estimado para essa obra poderá chegar a R$ 50 bilhões. Como o projeto ainda não está totalmente concluído – a nível de projeto executivo, e há a possibilidade de mudanças de traçado com perfuração de túneis, o valor final após a sua conclusão poderá sofrer um aditivo de até 45% do planejado.
Há opiniões a favor e contra esse projeto. O que precisaria ser analisada é a prioridade ou não dessa obra neste momento. É certo que o Brasil deve ousar. Mas, quem quer administrar com responsabilidade e visão de futuro não pode deixar de hierarquizar os investimentos. Com tantas dificuldades de mobilidade urbana hoje existentes nas grandes capitais, seria mais importante buscar resolver essa questão, para depois investir no projeto do trem-bala. Por que não, primeiro concluir as obras do metrô de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília etc., para depois lançar a licitação do trem-bala? O que é mais importante, executar o trem-bala ou investir na sustentação econômica e social do país?

Edinaldo Marques
Engº Civil e Professor
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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Reforma Administrativa

Li uma matéria que foi publicada na página A7 da Gazeta de Alagoas de domingo (03 de abril), de autoria do jornalista e editor geral, Célio Gomes, intitulada “Reforma administrativa é trololó”. Diante da importância do tema e das implicações que representa na qualidade de vida da população, achei conveniente fazer alguns esclarecimentos, no sentido de deixar a minha contribuição técnica.

As reformas administrativas estão sendo realizadas não só aqui em Alagoas como em vários outros estados da federação e representam uma necessidade dos governos, para se adaptarem às mudanças impostas pela realidade atual e conseguirem alcançar as metas e objetivos com maior agilidade. Essas reformas só servirão como “remédio” para os males, se forem corretamente aplicadas (na dosagem e metodologia). Há remédios que servem e curam. E outros que não servem para determinado caso.

O erro dessas reformas é que não basta mexer na estrutura administrativa. Na verdade, isto é secundário. O principal é começar pelos paradigmas, que estão presentes nas mentes dos governantes e de alguns servidores. Sem mudar a cultura ou mentalidade hoje reinante não há reforma que venha a dar certo.

Para que as mudanças propostas nas reformas saiam da teoria e façam parte do dia-a-dia de um governo, é necessário desenvolver um processo de gestão que promova eficácia e eficiência no setor público. Isto significa fazer com que todos ou, pelo menos a maioria dos ocupantes de funções estratégicas do governo, passem por um T & D – Treinamento e Desenvolvimento, a fim de substituir modelos de gestão ultrapassados e ampliar a capacidade de liderar e gerenciar pessoas/ processos.

Há um apagão de gestão pública no país. A quase totalidade dos governos utiliza paradigmas da era industrial e nem se dão conta disso. Do século XIX até a metade do século XX, as empresas e órgãos públicos investiam tão somente no conhecimento técnico de seus servidores. Em pleno século XXI, é preciso juntar ao conhecimento em cada área, a capacidade de liderar e gerenciar com eficácia. Caso contrário, os resultados de melhoria da produtividade, qualquer que seja a reforma, deixarão a desejar.

Na prática, de nada adianta pensar em fazer reforma administrativa se os membros do governo e demais servidores não estão preparados para executá-la. Isto começa pela visão que cada pessoa tem de como liderar e administrar no século XXI. Posso garantir e provar que a elaboração de uma reforma administrativa planejada e executada corretamente conduzirá a uma mudança positiva nos resultados. Mas isto não é uma tarefa simples. Precisa ser feita com profissionalismo e sua implementação exigirá um trabalho de coach – acompanhamento técnico para garantir que as engrenagens administrativas da reforma façam realmente parte do sistema de governo.

A lentidão nas ações observada dentro do serviço público é consequência da falta de conhecimento e práticas de eficácia pessoal, interpessoal, gerencial e organizacional.

Reforma administrativa não é “trololó” – fácil, como disse o ex-governador José Serra, e sim, conhecimento teórico e prático de sistemas modernos de gestão aplicados ao setor público. Não basta apenas ter bom senso para administrar em momentos de alta complexidade como os atuais. Existem modelos científicos de gestão de pessoas e de processos administrativos, que não são aplicados por falta de conhecimento dos pseudo-administradores. As falhas de gestão são mais visíveis, principalmente em pastas complexas, como educação, saúde, segurança pública e assistência social. Com o atual “modelo vencido” de gestão pública as pessoas administram coisas complexas, sem embasamento, e tentando aprender com o erro, o que pode acarretar a percepção de “trololó”.

Como “provocação” e comprovação de tudo o que afirmo, que tal utilizar o verdadeiro conhecimento científico disponibilizado pela academia, no sentido de resolver essa “dúvida”? A Ufal poderia ser solicitada a contribuir com a questão.

Edinaldo MarquesProfessor da Ufal, Pós-Graduado em Administração
Consultor e Palestrante

Tragédia em Realengo


A tragédia de 7 de abril na escola municipal Tasso da Silveira em Realengo no Rio de Janeiro ficará marcada na memória do povo brasileiro. Desde que aconteceu o terrível episódio que vitimou 12 adolescentes, a mídia tem dado destaque e trazido diversas opiniões de especialistas, que tentam explicar o que ocorreu na mente daquele assassino. As principais revistas de circulação em nosso país estamparam em suas capas o retrato do autor. Este “glamour” não é positivo. Pelo contrário, pode contribuir para incentivar outras mentes doentias, pessoas esquizofrênicas ou de dupla personalidade a imaginarem que poderão ter sucesso, se agirem do mesmo modo.

Mas o que pode ter provocado o trágico episódio? Estamos diante de um caso bastante complexo para ser desvendado com base em uma única área do conhecimento. Para explicar o que ocorreu naquela mente é preciso juntar várias ciências – psicologia, sociologia, antropologia, administração e a ciência médica – psiquiatria.

Do ponto de vista da administração as teorias motivacionais mostram que as pessoas se motivam por necessidades não atendidas. Que necessidades básicas deixaram de ser atendidas na vida do assassino? Sua mãe biológica sofria de esquizofrenia e ele a perdeu cedo. Já a mãe adotiva, que era uma espécie de guia, havia morrido há um ano e meio. Este fato fez com que o criminoso ficasse totalmente sem direção, isto é, sem ter a quem seguir. Perdeu a única referëncia em quem confiava e que ainda restava para ele. O fato de ser um psicótico, a ausência de uma “bússola” interior e a não formação de um caráter sólido influenciaram em sua decisão. Antes de cometer essa trágica ação vivia mergulhado em emoções e sentimentos conflitantes, que podem ter contribuído a elevar os níveis de distúrbio mental. Faltou alguém do âmbito familiar ou da própria escola onde estudou, que tivesse identificado seu estranho comportamento e o orientado ou levado a fazer um tratamento.

Em escolas no Brasil foi o primeiro caso desse tipo e dimensão. Fica claro, que é preciso cuidar melhor das mentes das pessoas e o mais cedo possível – já a partir dos 3 anos de idade. É aí, que se originam grande parte das doenças e guerras. A causa de comportamentos e atitudes estranhas está nas cabeças. Educar emocionalmente e preparar para valores humanos precisam estar incluídos nos currículos das escolas. Antes porém, é necessário preparar os professores. Estes devem ser também treinados para identificar alguma anormalidade individual e dedicar atenção especial ou encaminhar para especialistas no assunto. Sempre que alguém prefere o isolamento deve ser melhor observado e tratado.

Também a desestruturação familiar, hoje reinante no Brasil, pode contribuir com resultados como esse. É um grande desafio colocado para os governos e toda a sociedade. Está claro que é preciso mudar a forma de educar – tanto nas escolas como nas famílias e ter cuidado com os maus exemplos que são diariamente passados. Será que começamos a colher aquilo que foi plantado? Esperamos que não e que tenha sido o último caso.

Edinaldo Marques Professor e Consultor
Pós-Graduado em Administração
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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Caso Oscar Roberto Godói - uma reflexão


O ex-árbitro de futebol e atual comentarista Oscar Roberto Godói foi baleado na noite de quarta-feira (16 de fevereiro), durante uma tentativa de assalto na região de Perdizes, em São Paulo. As imagens das câmeras de segurança da vizinhança mostram que houve uma luta corporal e Godói sofreu quatro disparos, saiu baleado, sendo que dois dos projéteis pegaram de raspão, um atingiu o pescoço e o outro furou o pulmão. Ele passou por uma cirurgia e, neste momento, encontra-se na UTI do Hospital das Clínicas, em estado grave.

Vamos refletir sobre o fato ocorrido. Do ponto de vista antropológico, quando um marginal decide realizar um assalto, nesse instante o controle de sua mente passa a ser comandada pelo sistema límbico, mais especificamente, pela amígdala (não é o mesmo órgão da garganta). Na prática, isto significa que o assaltante fica, como se tivesse um piloto-automático pronto para tomar a decisão de atirar contra a outra pessoa na mínima percepção de reação.

Num momento desses, aumentam os batimentos cardíacos e a pressão do sangue do assaltante (a não ser que sofra de alexitimia - incapacidade de manifestar emoção e/ou outras patologias semelhantes). Os músculos grandes preparam-se para uma instantânea ação. O estado de ansiedade do assaltante é muito intenso. O corpo fica condicionado a lutar (e até matar). Pode tremer, os músculos faciais travam, porém há uma determinação para tirar a vida do assaltado.

Uma situação de descontrole emocional como essa, o melhor que o outro pode fazer, é manter o máximo de equilíbrio, calma, não reagir, e deixar claro, imediatamente, que entregará tudo. Qualquer reação diferente, a possibilidade de dar errado é muito grande. Mesmo para aquelas pessoas, que tenham treinamento de defesa.

Vamos torcer e pedir a Deus que Godói consiga sair dessa. Quanto a todos nós, que sirva de lição. Jamais deveremos reagir num instante de intensa ansiedade. O medo pode ser nosso aliado, no sentido de que nos informa de que existe a possibilidade de que pode ser melhor não reagir.

Na atual realidade, de constantes casos semelhantes a esse, precisamos nos preparar mentalmente. Sempre achamos, que pode acontecer com os outros e nunca acontecerá conosco. Mas, estamos todos sujeitos a isso. Fruto de uma sequência histórica de falhas na educação (escolar e familiar) – educação inclusive para a vida coletiva, com diversos outros fatores sociais que não são tratados como deveriam ser.

Quem sabe um dia, nossos governantes decidam fazer o que precisa ser feito, de modo integrado, estrategicamente planejado, focado e sequenciado – de governo a governo. As futuras gerações agradeceriam. Não significa que iria eliminar todos os casos, mas que reduziria e muito o número de vezes, que fatos como esse acontecem.

EDINALDO MARQUES
Professor, Consultor e Palestrante
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